Parto e a influência no comportamento do bebé
-
Olhando para o aspecto de um recém-nascido é fácil encontrar semelhanças com um lutador de boxe, no final de um combate: olhos papudos, rosto inchado, pele com manchas arroxeadas. E é assim, semelhante a um combate, que o parto é percepcionado pelo bebé acabando, por isso, por deixar marcas físicas e emocionais, que interferem com o seu bem-estar nos primeiros tempos.
A nível metabólico, o trauma e stress associados ao momento do nascimento, equipara-se ao estado de alerta e à sensação de perigo iminente que um adulto pode sentir.
O posicionamento da cabeça do bebé no final da gestação e as pressões uterinas decorrentes do parto estão na origem da maioria das queixas neonatais.
Para conseguir atravessar o estreito canal que representa a pélvis da mãe, os ossos do crânio do bebé não estão completamente fundidos. As esuturas cranianas permitem que a cabeça do bebé se adapte às várias forças que são exercidas no canal de parto.
As formas que a cabeça é forçada a adoptar é um processo denominado de moldagem craniana, processo este que pode estar na origem de escolioses, má oclusão dentária, astigmatismo, irritabilidade, entre outras condições clínicas.
A maioria das tensões são rectificadas naturalmente durante os primeiros dez dias de vida, à medida que as capacidades inatas de auto-regulação vão entrando em acção.
Dependendo do tipo de parto, a forma como a estrutura do corpo e o sistema nervoso do bebé é afectado, também varia:
- Se o parto é demasiado longo, o bebé é exposto à pressão mantida, sem movimento ou progresso, podendo originar assimetrias ósseas (plagiocefalia).
- Se o parto é demasiado curto, a modelação craniana e outras partes do corpo não têm tempo para integrar a experiência.
- Num parto medicado, a possibilidade das contracções poderem ter uma frequência anormalmente longa e forte vai aumentar o stress no bebé.De acordo com a osteopatia, a origem destes sintomas está quase sempre associada ou ao modo como a cabeça do bebé fica posicionada no final da gestação ou às alterações decorrentes das pressões uterinas na base do crânio do bebé, situada acima da primeira vértebra cervical, que modifica o normal funcionamento do nervo vago, responsável pela inervação parassimpática de muitos órgãos e vísceras presentes na caixa torácica e abdominal.
Quando o nervo vago é afectado, pode produzir sintomas, por exemplo, no palato, na faringe, nas cordas vocais, na base da língua, na função respiratória, no ritmo cardíaco e no aparelho digestivo.
Graças às subtis e delicadas técnicas manipulativas, é possível promover a habilidade psico-físico-emocional do bebé se auto-regular, libertando o stress decorrente do seu nascimento de forma mais rápida e fácil.
Vê mais informação sobre o curso de Osteopatia Pediátrica Avançado aqui