Exercício

Considerações sobre variabilidade de movimento e recursos motores [parte 1/2]

Pedro Emerson, criador de Resgate do Movimento, destaca importância da variabilidade de movimento e recursos motores

Variabilidade de movimento e recursos motores. Talvez os dois termos que Pedro Emerson, criador de Resgate do Movimento, mais enfatiza nas suas formações tendo em consideração a sua relevância para a compreensão da maior parte dos problemas encontrados no quotidiano das clínicas e centros de treino. 


O bom movimento não está somente relacionado com a interacção harmoniosa ou coordenação entre as diferentes partes do corpo. Está fundamentalmente relacionado com o modo como o sistema interage com o ambiente, em particular em resposta às mudanças inesperadas. Por outras palavras, o bom movimento implica uma qualidade de adaptabilidade e capacidade de resposta a um ambiente mutável.


Podemos imaginar construir um robot humanóide capaz de andar com simetria e graça sem defeitos. Mas se o robot não puder adaptar o seu padrão de marcha para acomodar mudanças no terreno, cairá cada vez que pisar uma pedra, e a sua habilidade de movimento será essencialmente inútil. A verdadeira inteligência do movimento não existe, portanto, de forma tão intensa nos próprios movimentos, mas na sua interacção com o meio.


O passo largo gracioso do veado não é útil a menos que possa ser modulado para saltar um tronco e evitar um lobo. Um jogador de futebol que pode executar uma destreza, tecnicamente brilhante, com a bola no treino, não encara o teste verdadeiro até que desempenhe esses mesmos movimentos numa situação de jogo, contra um oponente que está a tentar tirar-lhe a bola.


Não diríamos que uma pessoa é fluente em uma língua se tem somente uma forma de comunicar um pensamento específico, independente do quão perfeita essa comunicação específica seja. Da mesma forma, uma pessoa não é fluente na linguagem do movimento a menos que possa realizar o mesmo objectivo de várias formas diferentes.


Uma pessoa que pode mover-se da posição em pé para sentada com perfeita suavidade, mas exclusivamente através de uma trajectória particular, tem menos recursos do que alguém que pode modular a sua descida ao chão de várias formas. 


O halterofilista pode executar um agachamento de forma perfeita, mas possivelmente não estará preparado para um dia de jardinagem, onde os movimentos de agachamento precisam de adaptar-se constantemente ao meio. 


Portanto, não podemos sempre avaliar o bom movimento pela sua adesão a uma forma ideal, mas sim pela sua capacidade de adaptar-se a muitas situações diferentes.



Quero ler artigo:

Considerações sobre variabilidade de movimento e recursos motores [parte 2/2]

Ver Mais

Partilha este artigo

Share to Facebook Share to Twitter Share to Google + Share to Mail

Cursos Relacionados

Motricidade Voluntária Funcional (MVF)

29 Mar - 27 Out 2019 122h Porto

Motricidade Voluntária Funcional (MVF)

Newsletter Fica a saber tudo para seres cada vez melhor. Regista-te aqui!