Exercício

Deve o exercício físico ser visto e “receitado” como um medicamento?

Promover a actividade física deve integrar a prática diária de todos os profissionais de saúde.

A lista de potenciais benefícios que pessoas fisicamente activas podem esperar é longa e inclui a prevenção primária e secundária de inúmeras doenças e condições.

E há efeitos na saúde mental, na preservação da função cognitiva e no bem-estar psicológico — por exemplo, na resistência ao stress — cujo impacto na saúde pública não está ainda bem quantificado. Por exemplo, um extenso relatório publicado recentemente na revista Lancet salienta o papel central do exercício físico na prevenção e controlo da demência, destacando o assinalável impacto social desta condição nas próximas décadas.


 photo 1152189.png


Muitas instituições e diretrizes internacionais na área da saúde recomendam que os médicos e demais profissionais de saúde — muito especialmente os médicos de família e as suas equipas — não só avaliem o nível de atividade física dos utentes como um "sinal vital" de saúde (tal como fazem para o peso ou consumo de tabaco) como façam também um aconselhamento para a sua prática. 

O aconselhamento breve pelo médico é eficaz na adesão à prática de atividade física pelos utentes, especialmente em populações específicas, como doentes ou pessoas mais velhas ou com menos recursos, para quem a palavra do médico é uma fonte de informação insubstituível. Isto aplica-se também a outros profissionais de saúde, pois todos podem, sem grande gasto de tempo, fazer junto dos seus utentes o reforço da importância de alguns princípios alimentares básicos, de não fumar, de controlar o peso, e de fazer actividade física regularmente. É também cada mais frequente termos outros agentes e serviços de saúde a participar nesta agenda. É o caso de serviços hospitalares, das clínicas privadas de saúde e também das farmácias. Muitas já oferecem serviços por parte de um nutricionista e podemos esperar oferta similar na área da prescrição de exercício, por um fisiologista do exercício.

Tal como um medicamento, o exercício físico tem efeitos terapêuticos isolados e coadjuvantes. Contudo, ser fisicamente activo é marcadamente diferente de ingerir um fármaco. Envolve experiências de vida e interações com o meio ambiente marcantes. É simultaneamente fonte e expressão de autonomia e de literacia física. Mais do que uma forma de medicina, a atividade física é uma forma de viver a saúde e de procurar estar bem.


 photo 1151812.png

Fonte:

Jornal O Público

Partilha este artigo

Share to Facebook Share to Twitter Share to Google + Share to Mail

Newsletter Fica a saber tudo para seres cada vez melhor. Regista-te aqui!