Saúde

QUANDO DEPOIS DO PARTO NÃO FICA SÓ UMA HISTÓRIA BONITA PARA CONTAR

  • Os médicos ressalvam que as sequelas graves após um parto são raras. Mas, por vezes, quando nasce um bebé, nascem também problemas de saúde para as mães: incontinência urinária, diastase abdominal e prolapsos, são algumas das complicações mais assinaladas. 

    Disfunções comuns associadas ao pós-parto: incontinência urinária, diástase abdominal e prolapsos

    Catarina Macedo Ferreira, 30 anos, conversa descontraidamente enquanto dá bolachas à pequena Graça, de um ano. É a quarta filha da fotógrafa e — provavelmente — a última. O sorriso de Catarina ilumina-se sempre que fala da Graça, do Sebastião, do Xavier ou da Leonor. No entanto, admite que talvez tenha chegado a altura de “fechar a loja” e tratar de si. As várias gravidezes, que resultaram num parto normal e em três cesarianas, trouxeram marcas que foi deixando arrastar.

    Os músculos abdominais ficaram muito afastados e tem aquilo a que se chama uma “grande diástase”. O peso das gravidezes e a pouca força abdominal trouxeram outro problema que afecta também a actividade profissional: incontinência urinária. “Gosto imenso de estar grávida e de ter bebés, mas sinto que chegámos a um bom equilíbrio e que preciso de tratar de mim. Estou num processo para fazer uma abdominoplastia.”

    Foi só no segundo filho, Xavier, agora com seis anos, que sentiu que algo não estava bem. Começaram as perdas de urina. “Por estranho que pareça, o que sentia eram dores nas costas, porque não tenho força abdominal. Os músculos afastaram-se e tenho uma diástase de quatro dedos. Mas sempre associei as dores a andar muito com eles ao colo e é tão bom ter filhos que nem pensamos no resto.”

    Depois de nascer Sebastião, hoje com três anos, fez uma avaliação e começou o trabalho para reduzir a diástase, mas com a nova gravidezagravou-se tudo e agora percebeu que o caminho terá mesmo de ser cirúrgico, até porque também tem uma hérnia umbilical para tratar.

    Diogo Ayres de Campos, obstetra e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, explica que “diástases tão exuberantes são raras”. Já a incontinência urinária é a consequência mais comum depois dos partos, sobretudo em partos vaginais em que se utilizaram ventosas ou fórceps. Regra geral, os episódios revertem e menos de 1% das mulheres ficam com problemas a longo prazo.

    Ainda assim, o médico reconhece que após o nascimento de um bebé as mulheres “concentram-se na nova dinâmica familiar” e acabam por não conversar com os profissionais de saúde sobre os problemas com que ficam, até porque “relativizam as consequências” de um momento único como é gerar a vida de um filho. Ao mesmo tempo, não há registos nacionais eficazes sobre estas queixas. É impossível dizer quantas pessoas ficaram com sequelas mais definitivas.

    Destaca também casos mais estéticos, como as estrias, e outros relacionados, por exemplo, com hemorróidas ou derrames nas pernas e hérnias. As dores nas cicatrizes são outra queixa.

    Fonte: Jornal O Público

     

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